Rythm Sprout é um jogo rítmico, desenvolvido pela SURT. O game é o primeiro desenvolvido pelo estúdio norueguês e foi publicado pela tinyBuild, publisher responsável por games como Hello Neighbor, Tinykin e muitos outros. O game foi lançado em fevereiro de 2023 e trouxe consigo arcos desafiadores e por vezes, cansativos.
O game nos apresenta desafios consistentes com a história que o game parece querer contar, mas impede nosso progresso com essa enorme dificuldade.
SINOPSE
Rhythm Sprout é um game rítmico feito a mão com músicas inteiramente originais e um curioso modo história.
ANÁLISE
De alguma forma, mesmo com uma história curiosa e divertida, o game insiste em mostrar que seus jogadores não são rápidos o suficiente nos gatilhos.
No controle do Broto, uma cebola guerreira, precisamos resgatar a filha do Rei Texugo das garras de um grande vilão que pode colocar todo aquele mundo em perigo. Ainda que colorido e pareça ser voltado para as crianças, ele pode trazer frustração à seus jogadores mais velhos.
Com uma curva de aprendizagem que agrega pouquíssimo valor ao game, ele nos desafia sem qualquer tipo de progressão, e nos lança por uma série de fases que rapidamente causou ansiedade à esse que vos escreve. O que me faz chegar a conclusão de que: Rhythm Sprout não é para mim.
Mas ainda sim, o game parece saber inovar no que diz respeito à um jogo rítmico. Pois enquanto perdemos a cabeça tentando avançar sem errar – ou quem sabe apenas chegar ao final das fases -, vemos uma história se desenrolar no fundo.
Isso mesmo, Rhythm Sprout se mostra como um game rítmico de aventura curioso em tudo que se propõe, mas deixa a desejar nos alicerces nos quais o game é construído. Sem opção de mudar a dificuldade, preciso revelar que não consegui chegar ao fim do game e por esse motivo, esse tardio review é lançado.
Apesar de ser lançado nos dias de hoje, em que a ansiedade parece tomar a todos sem dó, nem piedade, o game consegue exacerbar ainda mais esse sentimento agoniante.
VEREDITO
Enquanto conta uma história divertida, em que os reino dos vegetais precisa derrotar os guerreiros invasores de açúcar, o game parece ser feito para crianças, mas não se engane. Nem mesmo um adulto é capaz o game e se sentir verdadeiramente satisfeito.
1,5 / 5,0
Confira o trailer do game:
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A Jogada de Chang é estrelado por Bloom Li, o longa nos apresenta a história de um jovem que não se vê como bom o bastante para quase nada, não se destacando no ambiente escolar. Mas quando a oportunidade de um desafio o faz atingir o estrelato, sua vida muda para sempre. Ou é o que ele pensava.
Com um elenco quase que inteiramente composto por atores sino-americanos, o filme se destaca e se mostra como uma divertida produção que foca nas dificuldades que mesmo os nascidos americanos, possuem dificuldade para se encaixar e serem vistos como pertencentes à um lugar.
Um jovem sino-americano, fã de basquete quer apenas fazer uma enterrada e ficar com a garota bonita da escola. Mas durante essa jornada, ele descobre mais sobre si, sua família e seus melhores amigos.
ANÁLISE
O brilhantismo do cinema vem de testemunharmos o crescimento e desenvolvimento dos personagens em tela, vendo que eles não são ao fim os mesmos personagens do início. E isso nem sempre se concretiza. Quando roteiros fracos encontram atuações não tão poderosas, desenvolvimento é o último dos problemas. A Jogada de Chang vemos que o personagem que encontramos nos momentos iniciais do longa, não é o mesmo do fim. Daí vem seu mérito, mas não apenas daí.
Com atuações catárticas e divertidas, vemos como Chang quer mudar sua vida após a sentir estagnada ao começo de um novo ano letivo. E é quando resolve pôr em prática o plano de trazer à tona um Chang 2.0. Ao testemunhar no longa os mais diversos aspectos inerentes às vontades humanas de pertencimento, vemos que o simplista filme da Disney obtém sucesso.
Enquanto busca pertencimento, Chang busca incessantemente a aprovação dos alunos da escola. Com pouquíssimos amigos, ele vê no sonho de fazer parte do time de basquete uma chance de mudar sua vida e conquistar a mais nova aluna da escola. Como uma imponente viagem para fora e para dentro de si, A Jogada de Chang nos faz ver como um objetivo pode ser alcançado através do trabalho duro.
Com incríveis homenagens às lendas do basquete, as homenagens e frases de Kobe Bryant mostram a razão do atleta ser considerado até hoje como uma lenda e um símbolo de sucesso.
VEREDITO
A Jogada de Chang diverte, nos deixa angustiados e nos faz sorrir tranquilamente em sua resolução. Com uma trama simples, mas que conta com repercussões por todos os arcos desta história, vemos que o diretor Jingyi Shao sabe o faz ao retratar a vida de alguém que precisa batalhar 2 vezes mais a fim de receber reconhecimento por seu trabalho duro. Com atuações poderosas e 3 atos muito bem delineados, vemos o filme apenas crescer.
Fugindo da fórmula clássica da Disney, A Jogada de Chang conta uma história que precisa ser contada e vista por diferentes públicos.
4,5 / 5,0
Confira o trailer:
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Na empolgação com Creed III, o TBT desta semana é sobre outro filme de boxe, de mesmo número, mas de alguns anos antes: Rocky III – O Desafio Supremo. Ao contrário do mais moderno que mal menciona o personagem de Carl Weathers, em Rocky III, o personagem de Apollo Creed é fundamental para a reestruturação do Garanhão Italiano.
É interessante observar a construção dos filmes de Sylvester Stallone, que ainda que carregados da masculinidade bruta, possuem momentos de redenção, filosofia e superação de barreiras psicológicas. Para a temática e para a época, Rocky III é um soco nos fãs que aspiravam curtir a glória do campeão, dando espaço para uma outra faceta do boxeador italiano.
SINOPSE
Após se sagrar campeão dos pesos pesados vencendo Apollo Creed, e defender seu título por dez vezes, Rocky Balboa (Stallone) decide largar sua carreira de pugilista, até ser desafiado e insultado por Clubber Lang (Mr. T), que era o primeiro do ranking e estava ansioso para enfrentar o campeão Rocky Balboa. No dia da luta, durante uma discussão entre Rocky e Clubber, o treinador Mickey sofre um ataque do coração e faz com que Rocky fique abalado e assim sofre uma derrota humilhante para o feroz desafiante Clubber Lang.
Depois da luta, Mickey morre e Rocky cai em profunda depressão. Porém, Apollo Creed, seu antigo rival, ao compadecer-se de Rocky e tomar certa antipatia por Clubber Lang, oferece-se para ajudar Rocky e o convence a treinar para juntos retomarem o título de campeão mundial.
ANÁLISE
Como disse anteriormente, Rocky III é um filme que foge um pouco do padrão de lutas frenéticas e mera superação física. Não que não tenha, afinal, abdicar desta fórmula seria jogar a toalha. Mas o terceiro longa do herói da Filadélfia é nevrálgico. Ataca os principais pontos fracos de Robert Balboa, o humano por baixo do cinturão. E os escancara paulatinamente, de maneira até arriscada para o gênero.
Não atoa Sylvester Stallone buscou uma canção temática forte para acompanhar a clássica Gonna Fly Now, de Bill Conti. Outro post nosso conta um pouco da história por trás da definição de Eye of the Tiger (da banda Survivor) como música tema de Rocky III – O Desafio Supremo.
Rocky neste longa é retratado como o campeão que deixou a fama subir à cabeça, que é também representado pela adição de Paulie à equipe, um fanfarrão deslumbrado e preconceituoso. Em contraponto à Mikey, o velho e sisudo treinador, o protagonista parece valorizar menos a vitória em relação à fama.
A morte de Mikey, a derrota para Clubber Lang e o reconhecimento de que o medo o domina fazem Rocky se reerguer das cinzas. Talvez por isso Stallone queria que Another One Bites The Dust, da Queen, fosse a principal música da trilha sonora deste filme. Mas eles souberam contornar o problema, marcando frequentemente (através de Apollo Creed) que o (ex)campeão precisava recuperar “o olho do tigre”.
A nova equipe vai até a antiga academia de Creed para aprender não só um pouco do estilo do antigo rival do Italian Stallion, mas para conviver com jovens aspirantes à lutadores que possuíam aquele brilho no olhar, que agora faltava ao protagonista. A redenção de Rocky é retratada, às vezes, de forma até caricata, mas entrega um bom entretenimento e uma boa mensagem de superação.
É incrível identificar tantos traços psicológicos em um filme que deveria ser apenas sobre troca de socos. O voo da Fênix de Rocky é concretizado no meio da luta final contra Clubber Lang. Ali, ainda que ele já tenha superado seus medos e buscado um aprimoramento físico com o treinamento de Creed, o personagem de Stallone percebe que apesar do medo e da superioridade física do adversário, Rocky recuperou sua confiança, seu brilho no olho – o seu “Eye of the Tiger”.
Com isto, ele se reestabelece psicologicamente e ganha a luta não literalmente, mas tecnicamente, porque descobre como suplantar mentalmente o brutamontes enraivecido, cansando-o pouco à pouco até conseguir acertar a sequência de golpes finais.
Assistir aos antigos filmes de Rocky para acompanhar o sucesso dos filmes de Adonis Creed é uma boa pedida para sorver a essência que serve como pano de fundo para o filmes de Michael B. Jordan.
Nossa nota
4,0 / 5,0
Assista ao trailer legendado de Rocky III – O desafio supremo:
Você pode assistir Rocky III – O Desafio Supremo através do Amazon Prime Video.
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Kirby: Return to Dreamland Deluxe, lançado para o Nintendo Switch em 24 de fevereiro de 2023, é o remaster do game lançado para o Wii U em 2011. Ainda que o game não tenha envelhecido nada desde seu lançamento, ele se mostra como uma bela oportunidade de revisitar o lindo game de plataforma 3D. O mais novo game da adorada e fofinha criatura rosa que é uma das caras da Nintendo nos lança por uma desafiadora viagem.
Somos ambientados à história de Kirby, quando o mago Magolor e sua nave caem em sua realidade. Ao longo do game, precisamos encontrar os itens avariados da Astrovela, a nave de Magolor que caíram em diversos reinos. A diferença do game em relação ao seu lançamento anterior é que Kirby: Return to Dreamland Deluxe é completamente localizado em PT-BR, o que mostra o maior cuidado que a Nintendo vem tendo com os jogadores brasileiros.
SINOPSE
A poderosa bolinha rosa retorna ao planeta Pop com o objetivo de ajudar a reconstruir a nave do mago Magolor. Nessa nova aventura de plataforma multiplayer para até 4 jogadores, podemos contar com novas habilidades, como a maqui e a areia.
Lute e flutue com amigos no mesmo console, em que cada jogador pode controlar um Kirby diferente ou um de seus icônicos amigos, como o Rei Dedede, o Meta Knight e o Waddle Dee de bandana.
ANÁLISE
Kirby: Return to Dreamland Deluxe nos apresenta o planeta Pop de maneira única. Fazendo nossos olhos brilhar não apenas pelos desafios contidos no game, mas também pela forma do personagem avançar por entre os muitos reinos. Com cerca de 18 habilidades retornando e 2 inteiramente novas, o título nos apresenta desafios único para cada uma delas. Ao longo de suas pouco mais de 15 horas, o game nos emociona e nos desafia não apenas por meio de suas fases, mas também pelos minigames contidos no Parque Magolândia.
Com suporte para até 4 jogadores, podemos nos colocar não apenas no controle de Kirby, mas também do Rei Dedede, do Meta Knight e também do Waddle Dee de bandana.
A franquia Kirby surgiu no passado de maneira despretensiosa e rapidamente fez com que aquela bolinha rosa se tornasse uma das propriedades intelectuais mais rentáveis da Nintendo. O primeiro contato que tive com a franquia foi em Kirby’s Dreamland; o game lançado em 1992 e me levou por uma viagem completamente única e divertida.
O mais interessante de Return to Dreamland Deluxe são as possibilidades presentes no game. Mas não apenas isso.
Quando imersos no que o game pode ser de acordo com a nossa maneira de jogar, é possível entendermos algumas das camadas da gameplay, o que nos permite assim, tirar o máximo do que Kirby: Return to Dreamland Deluxe. O game ainda que desafiador nos níveis mais avançados, permite que os jogadores se divirtam e se encantem com tudo que o que Kirby faz. Desde acenar em direção a tela, ou então destruir os inimigos impiedosamente com nossas habilidades.
Um elemento interessante contido na gameplay, vem do fato de podemos desbloquear um epílogo, que nos coloca no controle de Magolor ao final do modo história. Junto dele, os modos Extra e Arena também são liberados.
HABILIDADES, GAMEPLAY E VISUAL
Os poderes de Kirby giram em torno de obter habilidades que podem ser roubadas ou absorvidas quando “engolimos” nossos inimigos. Algumas das minhas habilidades favoritas giram em torno de atacar tanto de perto, quanto de longe. Sendo uma delas a mais nova habilidade implementada no game, a Mecha. Que nos permite tanto planar, quanto atirar à longas distâncias e também lançar minas que explodem em raios de energia.
A gameplay de Kirby: Return to Dreamland Deluxe é tão ou mais fluída do que os games 2D da franquia. Algo que merece ser louvado, é como a Nintendo consegue criar habilidades únicas para cada uma das 20 habilidades que podemos obter. Funcionando quase que como mecânicas novas, podemos abordar diferentes desafios por meio de diferentes habilidades. O game usa e abusa dos aspectos 3D, seja ocultando elementos pelos níveis, como dificultando nossa obtenção dos núcleos de energia que Kirby precisa capturar a fim de reparar a nave de Magolor.
Kirby: Return to Dreamland Deluxe nos apresenta como um deleite visual. Nos reapresentando uma história divertida, desafiadora e acima de tudo, fofinha. Quando Kirby captura seus inimigos, somos lançados em uma aventura que parece nos fazer sentir que somos capazes de tudo, apenas controlando aquela fofa bolinha rosa.
VEREDITO
Muito distante de desanimar os jogadores da versão de Wii U, Kirby: Return to Dreamland Deluxe se apresenta como um brilhante mergulho ao planeta Pop, nos mostrando diferentes facetas de antigos personagens. Com suporte para até 4 jogadores e a localização em português do Brasil, o game ganha um novo respiro e uma nova vida no Nintendo Switch.
Ao longo de pouco mais de 15 horas, me vi vidrado pelo quão desafiador e dinâmico o game é, nos forçando por vezes rejogar as fases a fim de garantir que não deixamos nada passar. Esse é outro elemento que me surpreendeu positivamente. O fator de replay do game é absurdo, já que nos permite encarar fases já jogadas com diferentes habilidades, nos permitindo tanto brilhar, quando acessar áreas não disponíveis anteriormente.
5,0 / 5,0
Kirby: Return to Dreamland Deluxe foi lançado no dia 24 de fevereiro para Nintendo Switch.
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No último mês, recebemos o incrível Coraline, uma das obras mais assustadoras deNeil Gaiman. A versão lançada pela Rocco, vem ao Brasil no formato quadrinho e com ilustrações maravilhosas de P. Craig Russel. A parceria vem de mais de 30 anos, com o ilustrador já tendo adaptado diversos livros do autor.
Coraline ganhou os holofotes quando foi adaptado para animação stop-motion em 2009. E desde então, Gaiman tem tido cada vez mais mais destaque, com suas obras ganhando cada vez mais versões live-action, como foi com Lucifer – uma adaptação livre do personagem criado por Gaiman -, Deuses Americanos, Good Omens e o incrível Sandman.
A edição lançada no Brasil pela Editora Rocco faz um trabalho brilhante ao colocar na trama elementos factíveis, e uma ilustração bem mais humana e real. Focando quase que inteiramente no horror que é, ver humanos como os conhecemos com olhos de botões.
Trazemos neste artigo alguns pontos que foram adaptados da obra original de Neil Gaiman, tendo muito ou quase nenhum impacto sobre a trama original.
A DIFERENÇA GRÁFICA ENTRE O QUADRINHO E A ANIMAÇÃO
O quadrinho da Editora Rocco traz uma ilustração muito mais pé no chão do que o que foi visto na animação. Com elementos estilizados e visuais espalhafatosos, Coraline de 2009 contou com um estilo gráfico único. A ilustração de Russell é tão real quanto assustadora. E daí, vem o mais pesado aspecto desta história: ver humanos se transformar em criaturas horrendas, com grandes dedos que lembram garras e enormes dentes com sorrisos maléficos. E os olhos de botão são apenas a cereja do bolo.
WYBIE NÃO EXISTE NO LIVRO
Caso você tenha assistido a animação antes de ler o quadrinho, não se assuste ao não encontrar um dos mais intrépidos personagens do filme de 2009. Wybie tem um papel importante no filme e serve por vezes como um “guia” de Coraline pelo que ele se refere como a “Casa Rosa”.
No livro, Coraline é sua própria guia e o fato de ser uma “exploradora”, dá ainda mais destaque à personagem e sua amizade com O Gato, seu fiel confidente e protetor.
CORALINE MORA ORIGINALMENTE NA INGLATERRA E NÃO NOS ESTADOS UNIDOS
Não que isso influencie muito a história, mas a mudança de um continente ao outro estão basicamente ligadas aos hábitos de consumo de Coraline e seus pais. O diretor Henry Selick optou por ambientar o filme no Oregon pois havia escalado em grande parte atores americanos para o filme. As únicas personagens que mantiveram sua nacionalidade inglesa, foram as vizinhas de Caroline, a Srta. Spink e a Srta. Forcible.
A PERSONALIDADE DE CORALINE MUDOU COMPLETAMENTE
No quadrinho, Coraline é vista como uma jovem paciente, curiosa e resiliente, passando por vezes por apuros para evitar maiores conflitos sem reagir. No filme, ela é colocada como uma personagem reativa e é quase sempre vista como uma garota mal-humorada e difícil de lidar.
A forma como Gaiman descreve a personagem no livro, a coloca como uma criança inteligente, observadora e quieta. Já a versão do filme a faz se apresentar como uma personagem independente, por vezes mais audaciosa e mais respondona.
O OUTRO MUNDO É COMPLETAMENTE DIFERENTE
Ainda que o outro mundo pelo qual Coraline adentra não engane nossa protagonista no livro, a sua contraparte do longa se vê capturada por características únicas daquele lugar. Como um mundo lúdico e “reativo”, o diretor cria no longa sequências super interessantes que prenderiam a atenção de qualquer criança, dando aquele lugar um tom mais alegre e mais animador do que o mundo real, no qual nossa personagem vive.
A BONECA DE PANO COM OLHOS DE BOTÃO
Mais um elemento interessante do longa está contido em sua sequência inicial. O filme de Henry Selick nos apresenta a ameaça que Coraline enfrentará desde seus primeiros momentos. Com mãos que lembram agulhas e alfinetes, vemos uma boneca de pano ser construída com partes de outras até ganhar a forma de Coraline.
O filme estabelece que essa é uma das táticas da outra mãe de atrair crianças para seu mundo. Wybie tem mais um papel no longa além de servir como um guia, ele entrega a boneca que parece ter surgido em sua vida à Coraline. A jovem a partir dali leva a boneca para todos os lados em suas aventuras e explorações.
A boneca não é um elemento narrativo da história original de Gaiman, tendo sido criada inteiramente pelo diretor para o filme.
O OUTRO MUNDO
Quando Coraline fica presa no outro mundo e tenta fugir pela porta da frente da Casa Rosa, ela percebe que uma forte névoa cerca o lugar. Quando o gato conta a ela que é impossível fugir dali, ela não desiste e caminha até os confins daquele lugar. Como uma espécie de reprodução do mundo real, a outra mãe parece ter copiado apenas o que mais lhe interessa para prender a jovem do outro mundo: a casa e o jardim da frente. Quanto mais Coraline adentra a névoa, menos ela vê, pois não há mais nada ali, a não ser a casa e o jardim da frente.
Enquanto tenta se encaminhar para o ponto mais equidistante em relação à casa, Coraline retorna ao ponto de partida. Mostrando que aquele universo não é infinito, como o nosso.
A diferença está aí. No filme, a outra mãe cria para Coraline em uma tentativa de fazê-la ficar, um jardim com o formato de seu rosto. Repleto de magia e mistério, o lugar é cenário de um importante conflito que se dará ao final da história.
A OUTRA MÃE É MAIS ASSUSTADORA NO LIVRO
Ainda que a outra mãe de Coraline se transforme em uma das criaturas que a protagonista mais tem medo – uma espécie de aranha gigantesca -, o que quadrinho acaba por causar aos seus leitores uma sensação de perigo muito maior. Seja por seu estilo gráfico mais realista, que aliado ao texto de Gaiman nos causam um maior incômodo, vemos a história se desenrolar sem saber a extensão do poder do inimigo que Coraline enfrenta, o que é diferente no filme.
Algumas linhas de diálogo inclusive servem para nos causar um incômodo singular, estabelecendo o que a outra mãe é capaz de toda e qualquer coisa para obter seu objetivo.
FINAIS DIFERENTES
Na versão do filme, Wybie auxilia Coraline a se livrar da mão. O que é anticlimático e coloca a personagem de natureza independente como dependente da ajuda de alguém para salvar sua própria vida e aquela realidade.
O final do livro é bem mais interessante do que a versão do filme, pois diferente do fato da personagem precisar da ajuda de alguém para vencer o mal que ela enfrenta, ela descobre tudo sozinha. Um dos elementos mais interessantes da história é que Coraline vê sua vida ter alguns dias de tranquilidade antes de retornar à ação. E após alguns dias de descanso, enquanto a outra mãe tentava cruzar para seu mundo, ela monta uma armadilha e prende a mão no fundo do poço.
O quadrinho da Editora Rocco nos lança pelos mais diversos mistérios, mas causa certos incômodos. Mais incômodos do que a animação de 2009. O quadrinho está disponível para venda.
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As dificuldades de fazer cinema sendo mulher são inúmeras. Desde chefiar equipes muitas vezes masculinas e em jornadas de trabalho de muitas horas até o desafio de conciliar essa carreira com trabalhos não remunerados. Nas premiações mais importantes do cinema, as mulheres não são maioria, nem mesmo representam a metade dos indicados. Talvez isso só ocorra quando houver uma paridade de gênero na composição dos votantes, na direção dos festivais e quando houver mais diretoras realizando longas-metragens com grande orçamento.
Em quase um século de Oscar, apenas sete diretoras foram indicadas ao prêmio de Melhor Direção.
A história do cinema é, como todas, também a história de grandes mulheres, que tiveram de lutar contra tal sistema engessado, a fim de poderem simplesmente criar, realizar seus filmes, oferecer seus pontos de vista peculiares enquanto realizadoras e diretoras. Assim, separamos aqui uma lista de algumas dessas mulheres brilhantes e lutadoras, que ajudaram, com sua arte, talento e força, a forjar a história do cinema, no Brasil e no mundo.
Confira 10 diretoras que marcaram história no cinema:
Agnès Varda
A cineasta belga Agnès Varda influenciou de tal forma não só o cinema como a própria afirmação feminina nas artes, que não é exagero dizer se tratar de um dos maiores nomes do cinema e da arte no mundo hoje. Partindo de uma sensibilidade para a escolha de cenários reais e não-atores em seus trabalhos, e utilizando um experimentalismo estético de rara beleza e força, Varda trata, em sua obra, de questões fundamentais, como o feminino, as questões sociais e de classe, a vida real, as margens da sociedade, com um olhar documental, experimental e criativo sobre o que é ser mulher no mundo.
Anna Muylaert
São poucos hoje os nomes que se comparam, em prestígio e reconhecimento no cinema brasileiro, com o de Anna Muylaert. Depois de dirigir Durval Discos e É Proibido Fumar, Anna conquistou sucesso comercial, de crítica e prêmios em todo mundo com a obra-prima Que Horas Ela Volta?, de 2015. Tendo sensivelmente captado o espírito de uma conturbada época de erupção social e política no Brasil – da qual até hoje ainda não parecemos ter saído – , parece significar perfeitamente uma parte fundamental dos conflitos históricos que separam classes no país, e que até hoje dão o tom das relações pessoais, profissionais e sociais por aqui.
A diretora neozelandesa é responsável pelo majestoso filme O Piano, de 1993, que a colocou numa lista pequena de diretora mulher indicada ao Oscar a tornou a primeira e única (até o momento) a vencer a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes. O longa também rendeu a ela o Oscar de Melhor Roteiro Original. Jane se tornou a terceira mulher, em 94 anos de premiação da Academia, a arrebatar a estatueta. Ela venceu na categoria de Melhor Direção pelo filme Ataques dos Cães.
A americana de ascendência alemã Greta Gerwig, hoje também conhecida pela nova adaptação de Adoráveis Mulheres, concorreu ao Oscar em 2018 por Lady Bird: A Hora de Voar, seu primeiro trabalho solo de direção. O filme, estrelado pela atriz Saoirse Ronan, acompanha a vida de Christine McPherson em Sacramento, na Califórnia, e sua adolescência recheada de descobertas, turbulências e crises com os pais, namorado e consigo mesma.
A cineasta brasileira foi a primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil. Filha de empregada doméstica e de origem pobre, ela quebrou barreiras raciais no país com o longa Amor Maldito, em 1984. A quase inexistente presença de mulheres negras no próprio imaginário social a respeito do cinema brasileiro ilustra o injusto apagamento que a história cometeu contra Adélia Sampaio e tantos outros nomes, mas ao mesmo tempo sublinha a força de seu trabalho, que segue, hoje, carregando dezenas de curtas e longas metragens em sua carreira.
Sofia Coppola
Cineasta, roteirista, produtora e atriz ítalo-americana, Sofia Coppola é responsável por dramas marcantes de linguagem sensível e ousada, como Lost in Translation, que em 2010 recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Foram os Encontros e Desencontros de uma estrela de cinema (Bill Murray) e uma mulher (Scarlett Johansson) acompanhando seu marido em Tóquio que renderam à cineasta ítalo-americana uma indicação ao Oscar de Melhor Direção, em 2004.
Emerald Fennell
Através da comédia ácida Bela Vingança (2021), a atriz Emerald Fennell faz sua entrada triunfal como diretora de cinema. A trama que manipula comédia, drama e suspense faz um retrato irônico e brutal sobre a violência contra a mulher. Não à toa, o longa fez sucesso no Festival Sundance. O longa também foi indicado a Melhor Filme, Montagem, Atriz e acabou levando a estatueta por Melhor Roteiro Original.
Roteirista, produtora e diretora chinesa, Chloé Zhao é responsável pelo aclamado longa Nomadland, garantiu o Oscar de Melhor Direção em 2021. O longa é baseado no livro Nomadland: sobrevivendo nos Estados Unidos no século 21, da jornalista Jessica Bruder, acompanha as viagens de Fern (Frances McDormand), uma mulher na casa dos 60 anos, pelo oeste dos Estados Unidos, e seus encontros com nômades modernos.
Chloé também está por trás do roteiro, direção e produção do longa Eternosda Marvel Studios, lançado em 2021.
Outro grande nome feminino do cinema brasileiro, Laís Bodanzky aborda temas centrados nos relacionamentos e ideias compartilhadas, com narrativas dramáticas focadas em assuntos mundanos e universais e como são experimentados de maneira única por cada pessoa.
A última produção da cineasta, Como Nossos Pais, levou o prêmio de melhor filme da 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Além de ser o grande vencedor, o longa recebeu outros cinco Kikitos: direção para Laís Bodanzky, atriz para Maria Ribeiro, ator para Paulo Vilhena, atriz coadjuvante para Clarisse Abujamra e montagem para Rodrigo Menecucci.
Kathryn Bigelow
O Oscar é hoje um prêmio com muito mais força comercial do que propriamente artística. Isso, porém, não diminui o tamanho do holofote político e crítico que a premiação oferece – e o impacto cultural que um filme pode alcançar através do prêmio. Por isso, a diretora americana Kathryn Bigelow afirma sua importância não somente por ter conquistado o espaço como um nome forte entre a maioria masculina a conquistar o sucesso em Hollywood, como também por ter se tornado aprimeira mulher a ganhar, somente em 2009, o prêmio de Melhor Diretora pela Academia de Cinema Americano, com o filme Guerra ao Terror; o longa também levou a estatueta de Melhor Filme.
São muitos os nomes de diretoras importantes no cinema, como Ava Duvernay, Olivia Wilde, Angelina Jolie, desde diretoras, atrizes, roteiristas, maquiagem, etc, mas fica aqui nossa homenagem a elas que fazem do cinema uma arte ainda mais linda.
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