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    CRÍTICA – Batman (2022, Matt Reeves)

    Batman (The Batman) é a mais nova adaptação do Homem-Morcego para os cinemas. Dirigida por Matt Reeves, a produção traz em seu elenco principal os atores Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, Colin Farrell e Andy Serkis.

    O novo filme do Batman chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 3 de março. Confira abaixo nossa crítica sem spoilers.

    SINOPSE DE BATMAN

    Batman segue o segundo ano de Bruce Wayne (Robert Pattinson) como o herói de Gotham. Com apenas alguns aliados de confiança – Alfred Pennyworth (Andy Serkis) e o tenente James Gordon (Jeffrey Wright) – entre a rede corrupta de funcionários e figuras importantes da cidade, o vigilante solitário se estabeleceu como a personificação da vingança.

    ANÁLISE

    Com diversas adaptações, tanto na televisão como nas telonas, em forma de live-action ou animação; Batman é, sem sombra de dúvidas, um dos heróis mais populares do mundo. Por se tratar de um ser humano sem outros poderes (além do aquisitivo), o personagem construiu um legado muito forte, sendo abraçado por diferentes tipos de público.

    A ideia de termos mais um filme sobre o Homem-Morcego, logo após a empreitada que trouxe Ben Affleck no universo de Zack Snyder, parecia apressada. Afinal, também não faz muito tempo que Coringa fez sua estreia, explorando um lado mais sombrio e diferenciado do personagem.

    Entretanto, a proposta de Matt Reeves, que muito se assemelha ao universo “realista” (entre muitas aspas) criado por Christopher Nolan, é extremamente bem executada. Ao optar por uma trama investigativa, focada no suspense, Reeves traz uma faceta do Batman que ainda não havíamos presenciado no cinema e que é muito comum nos quadrinhos.

    Antes de discorrer sobre o roteiro e o ótimo elenco, é necessário exaltar um dos principais elementos da produção: a trilha sonora. Desde a abertura, onde somos impactados por uma cena pouco comum, a produção já explicita o quanto a trilha sonora será crucial na condução da trama. Michael Giacchino faz escolhas certeiras, principalmente durante as sequências de ação, utilizando composições que acompanham o ritmo das lutas e perseguições.

    No IMAX, a trilha é sentida até em pequenos momentos, quando a progressão de notas se espalha pela sala do cinema durante as investigações e descobertas de Alfred e Bruce. São pequenas experiências que tornam a trama mais fluida e envolvente, sendo um grande trunfo para a produção.

    Batman é um filme longo, possui quase três horas de duração. Seu tempo de tela se justifica pelos diversos arcos do herói, que são muito bem conduzidos pelo roteiro de Reeves e Peter Craig. Assim como em Duna, acredito que algumas pessoas poderão achar o ritmo um pouco lento em alguns pontos, mas são escolhas necessárias para que todos os personagens apresentados tenham certo desenvolvimento.

    Por se tratar de uma produção com vários personagens, o desafio é que todos eles possuam tempo de tela que, além de justificar sua presença, crie subsídios para que suas ações tenham motivações convincentes.

    Tanto Selina Kyle (Zoë Kravitz), quanto Charada (Paul Dano) possuem bastante espaço na trama, o que acredito ser um ponto muito positivo e que evita a existência de pontas soltas ao término da exibição. As motivações de seus personagens são bem construídas. Há uma explicação para suas posturas e ações, o que é algo normalmente falho em diversos filmes de super-heróis recentes.

    O Batman de Reeves está em seu segundo ano de atuação, mas ainda não é o grande detetive que sabemos que o personagem pode ser. Explorar o Homem-Morcego nesse estágio é algo interessante, pois abre espaço para que ele cometa erros e aprimore seu modo de atuação dentro de Gotham. Robert Pattinson está confortável no papel e tem potencial para se tornar a versão favorita de muitos fãs.

    O cast como um todo possui uma ótima química. Jeffrey Wright e Pattinson trabalham muito bem juntos, principalmente durante as cenas investigativas que nos remetem aos ótimos filmes de suspense e serial killers de David Fincher, como Seven (1995) e Zodíaco (2007). Os momentos mais humorados da trama também acontecem quando os dois estão juntos em cena.

    É necessário falar também da ótima atuação de Zoë Kravitz, que dá vida a uma das melhores versões de Selina Kyle até agora. A Selina de Kravitz vai além do conceito de Femme Fatale, sendo ameaçadora e destemida em diversas cenas. Uma possível série da Mulher-Gato já está a caminho, e Zoë é, com certeza, um grande acerto para a personagem.

    CRÍTICA - Batman (2022, Matt Reeves)

    A direção de fotografia de Batman é assinada por Greig Fraser, o mesmo responsável por Duna, Rogue One e alguns episódios de The Mandalorian. Nessa produção ele captura cenas impecáveis, com a mesma qualidade de seus trabalhos anteriores, mas com uma estética muito mais sombria e adaptada à paleta de cores do personagem.

    Apesar de todos os pontos positivos, há algumas escolhas criativas em pontos da trama que destoam da beleza do restante do trabalho, como alguns cortes abruptos entre cenas, ou enquadramentos estranhos quando Pattinson está em primeiro plano. Entretanto, nada que estrague a ótima experiência.

    VEREDITO

    Batman traz uma das melhores versões do personagem já apresentadas no cinema. Com um roteiro bem desenvolvido e ótimas atuações, o filme de Matt Reeves se consagra como mais um ótimo acréscimo à filmografia do maior herói dos quadrinhos.

    5,0 / 5,0

    Assista ao trailer

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    CRÍTICA – Vikings: Valhalla (1ª temporada, 2022, Netflix)

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    Chegou ao catálogo da Netflix o spin-off de Vikings e promete contar um novo capítulo da saga dos navegadores nórdicos. Em Vikings: Valhalla seguimos a jornada de novos nomes importantes da história escandinava, desta vez cem anos depois dos feitos lendários de Ragnar Lothbrok e seus filhos.

    O elenco conta com Sam Corlett, Frida Gustavsson, Leo Suter, Bradley Freegard, Jóhannes Jóhannesson, Caroline Henderson, Laura Berlin e David Oakes.

    Vikings: Valhalla estreou na última sexta-feira, 25 de fevereiro.

    SINOPSE

    O destino do explorador Leif Erikson (Sam Corlett), sua impetuosa e obstinada irmã Freydis Eriksdotter (Frida Gustavsson) e o ambicioso príncipe nórdico Harald Sigurdsson (Leo Suter) se unem em uma jornada épica após tensões entre o povo viking e a realeza inglesa; em paralelo as intensas desavenças entre crenças pagãs e cristãs. Agora, eles irão cruzar oceanos e campos de batalha, de Kattegat à Inglaterra e além, enquanto lutam pela sobrevivência e pela glória.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA – Vikings: Valhalla | Conheça os principais personagens da série spin-off

    ANÁLISE

    Como de costume na franquia, muitos dos personagens são baseados em figuras históricas da Era Viking, além de retratar alguns dos grandes confrontos – entre ingleses e nórdicos, bem como cristãos e pagões – e incursões importantes dos vikings pelo território europeu e americano.

    Em um primeiro momento, a sensação em relação à Vikings: Valhalla é de ceticismo e estranheza, pois sabemos que a produção da gigante do streaming é uma clara tentativa de alcançar os fãs da série original, do canal History, que conquistou uma verdadeira horda de fãs.

    Seus oito episódios com duração média de 40min é uma verdadeira espada com dois gumes; por um lado é um acerto para os que buscam uma maratona breve, entretanto não é suficiente para os que buscam conhecer mais sobre essas figuras e seus feitos na história viking.

    Com três protagonistas e muitos coadjuvantes importantes, Valhalla parece ter um peso maior no gume da falta de profundidade ao contar a história de seus personagens. Apesar de alguns membros do elenco conquistarem rapidamente seu espaço com suas atuações e personagens complexos, como Godwin (David Oakes), Rei Canute (Bradley Freegard) e principalmente a forte e inteligente Emma da Normandia (Laura Berlin), por exemplo, a série parece correr contra o tempo.

    A velocidade dos acontecimentos são percebidos quando a busca de vingança de Freydis Eriksdotter e seu irmão Leif Erikson, bem como a grande invasão do Rei Canuto à Inglaterra em busca de vingança pelo massacre contra o povo nórdico é introduzida e concluída, já no episódio piloto.

    O que vemos a partir de então são protagonistas sem propósito, que estão sendo levados pelas marés do destino.

    VEREDITO

    Resumidamente, Vikings: Valhalla é uma boa opção para os fãs órfãos da série original Vikings e fãs da Era Viking como um todo, mesmo com as típicas mudanças em personagens e feitos. Ao fim da primeira temporada a impressão é que todos os sets de filmagens, embarcações e figurinos da série original foram reutilizados sem um objetivo claro.

    Se a Netflix confirmar a segunda temporada, assistirei por ser fã da temática viking e pelos personagens coadjuvantes, mas se não tivermos uma renovação, não fará falta.

    Um adendo: Espero que a nova produção tenha o timing de saber quando parar; diferente de Vikings, que não percebeu que a 4ª temporada era o fim.

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    2,5 / 5,0

    Assista ao trailer legendado:

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    CRÍTICA – Fidelidade (1ª temporada, 2022, Netflix)

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    A gigante de streaming traz ao catálogo mais uma produção original, dessa vez a série italiana Fidelidade, que promete drama, romance e muitas cenas quentes para chamar a atenção dos telespectadores. Baseado no best-seller de Marco Missiroli, de 2019, a produção mostra a rotina de um casal super apaixonado que de forma impremeditada se encontram em situações de adultério. Ele é um escritor que ganha seu salário ensinando redação, ela é uma arquiteta que ganha seu salário trabalhando como corretora de imóveis. Ambos infelizes em suas ocupações e com grandes projetos no futuro.

    SINOPSE

    Carlo (Michele Riondino), um escritor e professor universitário, e Margherita (Lucrezia Guidone), uma arquiteta. A princípio, os dois formam o casamento perfeito e possuem uma harmonia que muitos almejam em seus relacionamentos. No entanto, por trás da paixão e desejo que existe entre os dois, ambos se sentem atraídos por outras pessoas e se veem tentados em trair a confiança um do outro.

    ANÁLISE

    O drama adulto é uma das bases da serialidade e da cinematografia em todo o mundo e a nova série da Netflix traz um roteiro do que chamamos de “situações da vida real” para as telas. O casal vivido pelos atores de grande prestígio na Itália, Michele Riondino (Carlo) e Lucrezia Guidone (Margherita), apresentam um química fervorosa se mostrando em um relacionamento inabalável e que para a maioria das pessoas soa como “perfeito”. Até que esse amor começa a ser colocado à prova com um suposto envolvimento de Carlo com sua aluna Sofia (Carolina Sala).

    No entanto, a trama prende o espectador com as consequências que a desconfiança de Margherita se sobressai ao que tudo indica a princípio ser um mal-entendido. O casal mostra suas controvérsias ao se depararem com os desejos considerados como vingança e o famoso “se você fez, eu também posso fazer”. E o amor, será que acabou?

    Carlo e Margherita não são apenas um casal, são também indivíduos distintos com suas próprias complexidades e segredos. Um complexo de inferioridade vive nele por não ter alcançado os padrões que sua família de classe média alta imaginava para ele. Ela, acostumada a manter tudo sob controle, não percebeu que ao longo dos anos se colocou de lado, a começar por suas aspirações.

    Ao longo de Fidelidade vemos Margherita como uma mulher mais independente, e sentindo-se livre de seus medos, o que a torna mais confiante e abrindo para si novas oportunidades. Em contrapartida, Carlo se entrega ao novo sentimento e a novas descobertas; o que faz com que o casal siga caminhos opostos.

    Um ponto a enfatizar é que apesar do elenco ser genuinamente italiano, o espectador se familiarizará muito rápido com os personagens. A direção trouxe um bom uso das câmeras, que se movem de formas e velocidade variadas; Mesmo com um figurino de fato cotidiano utilizando roupas casuais, sem muitas inovações na maioria das cenas e cenários extremamente luxuosos; a fotografia faz um excelente trabalho se adaptando a diferentes sensações dos personagens em cena. E paralelo, eu não posso deixar de enaltecer a trilha sonora que nos leva a imersão das cenas.

    VEREDITO

    A minissérie conta com 6 episódios, escrito por Alessandro Fabbri junto com Elisa Amoruso e Laura Colella e já conta com especulações sobre a segunda temporada. Fabbri explicou durante a coletiva de imprensa que a história explora o tema:

    O que é realmente a fidelidade: estar preso a uma visão de si mesmo? Dedicar-se completamente a outra pessoa? Algo entre essas duas coisas? São perguntas sem resposta, talvez.”

    De fato muitas opiniões pairavam sobre a minha cabeça e algumas dessas perguntas fazem total sentido. A Netflix fez valer o entretenimento apesar dos episódios serem previsíveis e sem grandes performances do elenco. O números reduzido de episódios também me agradou, afinal não é um roteiro complexo com arco de vários personagens para se contar história e dessa forma a maratona é mais rápida.

    Ainda não há confirmação de uma segunda temporada de Fidelidade, no entanto o episódio final mostrou-se aberto a novos acontecimentos; porém sabemos que a gigante do streaming leva um tempo para avaliar as renovações. O que nos resta é esperar.

    4,0 / 5,0

    Assista ao trailer dublado:

    Fidelidade já está disponível no catálogo da Netflix. E você, curtiu a nova série da gigante do streaming?

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    CRÍTICA – Space Force (2ª temporada, 2022, Netflix)

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    Space Force entra em seu segundo ano no catálogo da Netflix e conta com Steve Carrell e John Malkovich no elenco principal. A série foi criada por Steve Carell e Greg Daniels.

    SINOPSE DE SPACE FORCE

    Na segunda temporada, o General Naird (Steve Carell) e sua equipe tem que dar explicações ao governo dos Estados Unidos por conta dos fatos que ocorreram na lua entre a nação norte americana e a China. Agora, eles devem tentar manter o grupo Space Force ativo, passando por uma sabatina que vai determinar o rumo de tudo.

    ANÁLISE

    A premissa que boa parte das comédias começa a ser boa a partir da segunda temporada é algo que faz sentido quando enxergamos num todo. Space Force é um dos casos, pois há aqui uma melhora significativa em sua narrativa e fluidez.

    Os personagens foram aprofundados, principalmente o trio Tony (Ben Schwartz), General Ali (Tawny Newsome) e Erin (Diana Silvers), que tiveram suas tramas mais elaboradas, trazendo mais humanidade para eles.

    Tony sempre foi um alívio cômico irritante e pouco funcional, mas agora vemos que ele é um dos mais doces do grupo, pois consegue ser engraçado e, ao mesmo tempo, apresenta uma dinâmica interessante com todos os membros do grupo, melhorando os textos deles e sendo crucial como o representante do público na história para ajudar na construção dos demais personagens. Ali é a heroína que não tem reconhecimento, além de ser uma sobrevivente. Sua história deveria ser contada aos quatro ventos, mas nada do que ela faz tem diferença para as pessoas, e as consequências disso na astronauta são interessantes de acompanhar.

    Já Erin passa por um momento crucial que todos nós vivemos: o de virar adulto e fazer escolhas que vão mudar nossa vida. Entrar numa faculdade, ter o emprego dos sonhos e moldar o caráter para o bem é algo que sempre humaniza e nos faz relembrar um pouco das nossas jornadas individuais.

    Por fim, John Malkovich continua sendo o melhor personagem, uma vez que mesmo sendo extremamente sério, ele entrega momentos leves e divertidos, sendo a mente brilhante dentro do elenco.

    As piadas continuam leves e bobas, todavia, os momentos de drama e de positivismo, com um quê de Ted Lasso, ajudam muito no desenvolvimento da história. Space Force é o tipo de série que não é de matar de rir o espectador, contudo, mostra reflexões importantes para a nossa vida.

    VEREDITO

    space force

    Space Force virou a chave, visto que agora busca trabalhar os atores da trama. Mesmo que ainda não seja uma série memorável, ela é divertida e nos dá uma mensagem de esperança que aquece nosso coração. O terceiro ano pode ser mais intenso, vamos aguardar…

    3,8/5,0

    Confira o trailer da segunda temporada de Space Force:

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    CRÍTICA – Belfast (2022, Kenneth Branagh)

    Belfast é um dos principais concorrentes ao Oscar 2022. Somando 7 indicações, incluindo à categoria de Melhor Filme, a produção dirigida e roteirizada por Kenneth Branagh pode se tornar uma das grandes premiadas da noite.

    O longa traz em seu elenco principal os atores Jude Hill, Ciarán Hinds, Jamie Dornan, Judi Dench e Caitriona Balfe.

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    SINOPSE DE BELFAST

    Belfast narra a vida de uma família protestante da Irlanda do Norte na perspectiva Buddy (Jude Hill), um garoto de apenas nove anos, durante os tumultuosos anos de 1960. Em meio a conflitos políticos e sociais, o garoto tenta encontrar um lugar seguro para sonhar enquanto sua família busca uma vida melhor.

    ANÁLISE

    Ao adentrarmos no mundo em preto e branco da Belfast de 1960, Kenneth nos apresenta a vida pacífica da comunidade em que Buddy vive com sua família. Crianças brincando nas ruas, adultos dançando e conversando: uma verdadeira harmonia. Entretanto, essa paz é finalizada após a invasão dessa área por um grupo protestante que não tolera a presença das famílias cristãs.

    A vida de Buddy muda completamente após esse conflito. Seu pai (Jamie Dornan) é obrigado a retornar da Inglaterra, local onde mantém empregos temporários, para ajudar a mãe (Caitriona Balfe) durante a tensão do conflito. Barricadas, escoltas e policiais passam a controlar o território, mitigando possíveis novas ondas de terror criadas pelas gangues locais.

    É importante destacar que Belfast não se aprofunda nos acontecimentos que iniciaram a guerra civil entre protestantes e cristãos em 1960, que foi um legado da separação do território ocorrido em 1922. Há apenas um contexto macro, onde entende-se que há um conflito quase impossível de reverter.

    Nesse cenário caótico, acompanhamos a rotina de Buddy com a mãe, o irmão, a prima, os avós e colegas de aula. Jude Hill é uma criança extremamente simpática, o que ajuda muito o espectador a se sentir envolvido com a história de seu personagem.

    Como inúmeras outras produções que fizeram sucesso no Oscar em anos anteriores, Belfast explora gatilhos comuns e que causam impacto na academia: a relação entre avós e netos, a felicidade em meio a um cenário caótico e o cinema como forma de escapismo da realidade. Pegue esses arcos e adicione o fato de ser preto e branco, homenageando o cinema em diversos momentos, e você tem a fórmula necessária para encantar os votantes.

    CRÍTICA - Belfast (2022,  Kenneth Branagh)

    Apesar de ser construído em cima de uma fórmula batida, Belfast tem um certo charme em sua concepção. Jamie Dornan possui uma atuação sólida e sua química com Caitriona Balfe funciona muito bem. O mesmo podemos falar de Judi Dench e Ciarán Hinds, ambos indicados nas categorias de atores coadjuvantes.

    A dinâmica da história, que intercala os acontecimentos entre locais abertos e os pequenos cômodos da casa de Buddy, também é um elemento interessante. Com apenas 97 minutos de duração, o roteiro é muito bem construído em torno das experiências do menino, o que não torna a produção cansativa.

    Entretanto, em muitos momentos Belfast causa a sensação de que alguns personagens são simplesmente esquecidos, até que seja conveniente trazê-los de volta. É o caso do irmão de Buddy, que acaba ficando tão em segundo plano que não possui desenvolvimento, mesmo sendo tão (ou mais) afetado pelos conflitos quanto os adultos.

    Após o término do filme é difícil lembrar de alguma cena marcante. A trilha sonora é provavelmente o elemento mais forte, sendo um grande acerto de Van Morrison. Mesmo assim, Belfast me surpreendeu positivamente em alguns momentos, o que considero uma experiência positiva.

    VEREDITO

    Com uma história simples, mas charmosa, Belfast é uma daquelas produções que, comparada com seus concorrentes, talvez não merecesse estar entre os indicados a Melhor Filme. Entretanto, ele também não causa incômodo por estar ali, sendo um comfort movie para assistir com a família.

    3,5 / 5,0

    Assista ao trailer

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    Benedict Cumberbatch: Conheça o ator e seus melhores trabalhos

    Benedict Timothy Carlton Cumberbatch, mais conhecido como Benedict Cumberbatch, é um ator britânico famoso por suas atuações como Sherlock Holmes, Stephen Hawking, Alan Turing e Doutor Estranho. Atualmente ele é casado com a diretora de ópera Sophie Hunter e pai de três filhos: Christopher Carlton, Hal Auden e Finn.

    Nascido em 1976, Cumberbatch concorre na categoria de Melhor Ator do Oscar 2022 por seu trabalho em Ataque dos Cães. Conheça a história do ator, curiosidades da sua vida profissional e seus melhores trabalhos.

    HISTÓRIA DE BENEDICT CUMBERBATCH

    Nascido em Londres no dia 19 de julho de 1976, Benedict Cumberbatch é filho de Wanda Ventham e Timothy Carlton Congdon Cumberbatch (mais conhecido por Timothy Carlton, seu nome artístico). O sangue da atuação corre nas veias de Ben desde que nasceu, pois sua mãe é atriz e seu pai, ator. Além da carreira dos genitores, a família de Cumberbatch é bastante conhecida no Reino Unido por conta da trajetória de outros membros em importantes fatos históricos.

    Henry Carlton Cumberbatch, avô de Benedict, foi um comandante da marinha britânica que lutou nas duas Guerras Mundiais. Ele é considerado um herói de guerra e recebeu diversas condecorações, entre elas: British War Medal, Victory Medal, Africa Star e Italy Star. Além do avô, o bisavô Henry Arnold Cumberbatch e o tataravô Robert William Cumberbatch foram diplomatas. Henry trabalhou como cônsul no Líbano, enquanto Robert esteve no Império Russo, e ambos também atuaram na Turquia.

    Vindo de uma família tradicional no país, Benedict Cumberbatch iniciou seus estudos aos oito anos em um internato somente para meninos. Após, estudou na Brambletye School e na escola de artes Harrow School, onde ele atuou e também pintou. Foi membro do principal clube dramatúrgico de Harrow, o Rattigan Society, onde se envolveu com diversas peças de William Shakespeare.

    Foto de quando Benedict Cumberbatch era criança
    Metaweb / CC-BY / Ranker.com

    Sua estreia como ator aconteceu aos 12 anos, quando interpretou uma personagem feminina: Titania, a Rainha das Fadas, na comédia shakespeariana Sonho de uma Noite de Verão (A Midsummer Night’s Dream, no idioma original). Nos seus primeiros anos estudando artes cênicas, o professor Martin Tyrell afirmou que Benedict Cumberbatch era o melhor estudante com o qual já havia trabalhado. No entanto, ele também alertou o jovem ator a respeito da carreira artística ser muito desafiadora.

    Esse alerta fez com que ele tirasse um ano para repensar qual carreira seguir. Além de ser ator, Benedict Cumberbatch cogitava se graduar em Direito como uma forma de valorizar o esforço que sua família fez para que ele tivesse educação de qualidade. Durante o período sabático, o britânico morou em Darjeeling, na Índia, onde deu aulas de inglês como voluntário em um monastério budista tibetano.

    No entanto, ele percebeu que a carreira no Direito seria tão competitiva quanto nas artes. Então sua paixão por ser ator falou mais alto, e ele se matriculou na Manchester University. Seu aprendizado não parou por aí. Após a universidade em Manchester, Benedict Cumberbatch continuou seus estudos na London Academy of Music and Dramatic Art, a escola de dramatização mais antiga do Reino Unido. Ao concluí-los, ele já contava com um agente.

    Notoriedade cedo na carreira

    Entre 2000 e 2004, Benedict Cumberbatch trabalhou em 11 produções, quase todas para televisão, exceto o filme Morte ao Rei (2002). Foi no décimo primeiro trabalho que a história começou a mudar. E o nome Stephen a fazer parte da sua carreira. E interpretar pessoas muito inteligentes a fazer parte da sua rotina…

    Em 2004, Cumberbatch interpretou Stephen Hawking pela primeira vez. Seu debut como o famoso cientista foi no filme para televisão A História de Stephen Hawking, trabalho pelo qual foi indicado à categoria de Melhor Ator no BAFTA Awards 2005. Não venceu, mas antes foi vencedor na mesma categoria do Monte-Carlo TV Festival 2004.

    Benedict Cumberbatch teve a oportunidade de encontrar Stephen Hawking duas vezes antes de interpretá-lo
    Copyright Polyband

    Para desempenhar o papel, o ator britânico teve a oportunidade de se encontrar duas vezes com o cientista. Todo o envolvimento foi útil não apenas pelo reconhecimento recebido, como também para viabilizar interpretações futuras de Stephen Hawking.

    Seis anos depois, Benedict Cumberbatch novamente o interpretou, dessa vez apenas como locutor no documentário O Universo de Stephen Hawking (2010). Logo em seguida, em 2012, foi o narrador da minissérie Stephen Hawking’s Grand Design, ambas produções desenvolvidas pelo Discovery Channel.

    Sherlock e a ascensão de Cumberbatch

    Criada em 2010 por Mark Gatiss e Steven Moffat, Sherlock é uma das produções de maior sucesso da BBC. Grande parte do sucesso se deve às atuações magistrais de Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes, e de Martin Freeman como Dr. John Watson.

    Baseado na obra de Sir Arthur Conan Doyle, o seriado de quatro temporadas é detentor de 93 prêmios e 183 nomeações, segundo o IMDb, plataforma na qual possui nota 9,1 / 10 e é considerada a 19ª série mais bem avaliada até hoje. O Metacritic também não fica muito atrás, onde Sherlock tem avaliação 88 pelos críticos e selo must-watch.

    Benedict Cumberbatch foi nomeado para dezenas de prêmios por sua atuação como Sherlock Holmes. Somente considerando Emmy e BAFTA Awards ele foi indicado sete vezes entre 2011 e 2017, sendo vencedor do Primetime Emmy Awards 2014.

    Dono de uma voz versátil e marcante

    Além dos trabalhos como Stephen Hawking já mencionados, Benedict Cumberbatch é reconhecido por sua voz versátil e marcante. Não é à toa que deu voz a Hawking duas vezes. Mas a dobradinha não aconteceu apenas com o notável cientista.

    Cumberbatch foi a voz de Necromancer na trilogia O Hobbit, enquanto deu vida (e não apenas voz) ao dragão Smaug nos dois últimos filmes. Sobre seu trabalho como Smaug, em entrevista à revista The New Yorker ele se mostrou descontente por divulgarem que ele foi “apenas” a voz do dragão. “Foi divulgado que eu dublo Smaug, e eu pensei: Que inferno. Minha voz, minhas emoções. Eu trabalhei duro para criar esse dragão”, afirmou, e aqui deixo a tradução sem linguajar impróprio.

    Conheça a vida e a filmografia de Benedict Cumberbatch, ator famoso por interpretar personagens como Stephen Hawking e Sherlock Holmes
    Reprodução / Making of oficial de O Hobbit

    Em 2013, ao visitar os estúdios da Fox para uma reunião, Benedict Cumberbatch acabou por acaso dublando dois personagens para o episódio Love Is a Many Splintered Thing, de Os Simpsons. Um deles foi o fictício primeiro ministro do Reino Unido; e o outro foi ninguém mais, ninguém menos que Severus Snape, de Harry Potter, interpretado originalmente por Alan Rickman.

    A jornalista e crítica de cinema Caitlin Moran certa vez descreveu a voz de Cumberbatch como “um jaguar escondido em um violoncelo”, destacando que ela parece ter se originado a partir da sintetização das vozes de “Ian McKellen, Sir Patrick Stewart e Alan Rickman realizando um concurso de elocução em um poço”.

    2013, um ano memorável para Cumberbatch

    Em 2013, quatro dos cinco filmes em que Benedict Cumberbatch atuou foram indicados ao Oscar: 12 Anos de Escravidão (vencedor em três categorias, entre elas a de Melhor Filme); Além da Escuridão: Star Trek; Álbum de Família; e O Hobbit: A Desolação de Smaug. O ator pode não ter sido o grande responsável pelas nomeações, mas indica que ele escolhe bem seus projetos ou, no mínimo, dá sorte para as produções.

    Benedict Cumberbatch e o Oscar

    Ainda não chegou a hora de Benedict Cumberbatch se consagrar como melhor ator no Oscar. Isso pode mudar agora em 2022, pois ele concorre na categoria por seu trabalho em Ataque dos Cães (The Power of the Dog), filme original da Netflix.

    Apesar disso, ele já participou de cinco filmes indicados à categoria principal da premiação: Desejo e Reparação (2007), Cavalo de Guerra (2011), 12 Anos de Escravidão (2013), O Jogo da Imitação (2014), 1917 (2019) e Ataque dos Cães (2021). Desses, 12 Anos de Escravidão sagrou-se vencedor.

    MELHORES TRABALHOS DE BENEDICT CUMBERBATCH

    A História de Stephen Hawking (2004)

    Sinopse: O filme mostra a vida do físico britânico Stephen Hawking (Benedict Cumberbatch) a partir do diagnóstico de sua doença degenerativa, aos 21 anos de idade, acompanhando suas conquistas e descobertas, que revolucionaram a ciência contemporânea.

    Sherlock (2010 a 2017)

    Sinopse da primeira temporada: Dr. John Watson retorna da guerra e é obrigado a procurar um lugar onde morar em Londres. É aí que conhece o detetive Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch). Ambos se unem para solucionar uma série de assassinatos que parecem suicídios.

    Trilogia O Hobbit (2012, 2013 e 2014)

    Sinopse de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012) – Como a maioria dos hobbits, Bilbo Bolseiro leva uma vida tranquila até o dia em que recebe uma missão do mago Gandalf. Acompanhado por um grupo de anões, ele parte numa jornada até a Montanha Solitária para libertar o Reino de Erebor do dragão Smaug (Benedict Cumberbatch).

    Sinopse de O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013) – Ao lado de um grupo de anões e de Gandalf, Bilbo segue em direção à Montanha Solitária, onde deverá ajudar seus companheiros a retomar a Pedra de Arken. O problema é que o artefato está perdido em meio a um tesouro protegido pelo temido dragão Smaug.

    Leia mais sobre a franquia O Senhor dos Anéis

    Sinopse de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014) – O dragão Smaug lança sua fúria ardente contra a Cidade do Lago que fica próxima da montanha de Erebor. Bard consegue derrotá-lo, mas, rapidamente, sem a ameaça do dragão, inicia-se uma batalha pelo controle de Erebor e sua riqueza. Os anões, liderados por Thorin, adentram a montanha e estão dispostos a impedir a entrada de elfos, anões e orcs. Bilbo Bolseiro e Gandalf tentam impedir a guerra.

    Além da Escuridão: Star Trek (2013)

    Sinopse: Os tripulantes da Enterprise descobrem uma força terrorista dentro da sua própria organização. O capitão Kirk desafia as regras da Frota Estelar e lidera uma missão para capturar uma arma de destruição em massa.

    Nesse filme, Benedict Cumberbatch interpreta Khan.

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    12 Anos de Escravidão (2013)

    Sinopse: Em 1841, Solomon Northup é um negro livre, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de 12 anos, ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps, que exploram seus serviços.

    O Jogo da Imitação (2014)

    Sinopse: Em 1939, a recém-criada agência de inteligência britânica MI6 recruta Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um aluno da Universidade de Cambridge, para entender códigos nazistas, incluindo o “Enigma”, que criptógrafos acreditavam ser inquebrável. A equipe de Turing, incluindo Joan Clarke, analisa as mensagens de “Enigma”, enquanto ele constrói uma máquina para decifrá-las. Após desvendar as codificações, Turing se torna herói. Porém, em 1952, autoridades revelam sua homossexualidade, e a vida dele vira um pesadelo.

    Doutor Estranho (2016)

    Sinopse: Após sua carreira ser destruída, um brilhante, porém arrogante, cirurgião ganha uma nova chance em sua vida quando um feiticeiro o treina para se tornar o Mago Supremo.

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    Patrick Melrose (2018)

    Sinopse: Patrick Melrose (Benedict Cumberbatch) é um aristocrata que vive atormentado por seus traumas do passado. Sua infância foi marcada por uma família desestruturada, a começar por seu pai abusivo, e repleta de brigas. Anos depois, Patrick ainda precisa beber para esquecer essas lembranças cruéis.

    Cumberbatch foi eleito Melhor Ator no BAFTA Awards 2019 por sua atuação como Patrick Melrose nessa minissérie de TV.

    O Mauritano (2021)

    Sinopse: A história real da luta de Mohamedou Ould Slahi pela liberdade após ficar preso injustamente por mais de uma década. Já sem esperanças, ele conhece a advogada de defesa Nancy Hollander, que entra no caso disposta a fazer justiça. Junto a seu associado Teri Duncan, Nancy reunirá provas inéditas que ajudarão a tirar Slahi de trás das grades.

    Em O Mauritano, Benedict Cumberbatch interpreta Stuart Couch.

    Ataque dos Cães (2021)

    Sinopse: Um fazendeiro durão trava uma guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão e seu filho adolescente ― até que antigos segredos vêm à tona.

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